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O Papa Pateta

Amigos leitores,

Essa história começa nos primeiros meses de 2005, com o falecimento do papa Karol Wojtyla, João Paulo II, homem de grande atuação política, e, por mais conservador que fosse (e era muito), foi de inegável ajuda para o estabelecimento da paz aonde fosse necessário. O próximo ponto foi o conclave. Todos os jornais, revistas e meios de comunicação anunciavam os possíveis novos papas, a grande maioria deles, tão conservadora quanto seu predecessor.

Até que se anuncia que o novo papa é o cardeal alemão Joseph Ratzinger, agora Bento XVI. Os fatos de ter participado do exército de Hitler e ter sido encarregado da “Congregação da Doutrina para a Fé” (eufemismo criado em 1908 pro popular “Tribunal da Santa Inquisição”) foram imediatamente veiculados por toda a imprensa mundial. Pela imagem do homem que formei em minha cabeça, pensei (e tratei de anunciar) logo: “isso não vai dar certo”. Pois bem, o tempo foi se passando, os dias se sucedendo e tudo correndo normalmente (exceto por ele abandonar a postura de diálogo com líderes mundiais que Karol vinha adotando com muito sucesso e algumas outras bizarrices, como abençoar ferraris na praça de S. Pedro), eu já havia até me conformado que minha preocupação era vã, gerada por mais um simples sensacionalismo da imprensa.

Até que, um belo dia, eu ligo a televisão e vejo que estão queimando bonecos do papa, bandeiras do Vaticano, e da Alemanha (claro, pra variar, de Israel e dos EUA também) no oriente médio. “Estão tentando 'variar a dieta'”, pensei a priori, mas fui surpreendido pelo comentário que dizia que tudo isso se devia a uma frase dita pelo papa.

Pesquisando sobre o assunto, descobri que o dito cujo, numa palestra na Alemanha, teve a infelicidade (e a falta de bom-senso) de usar citações de um imperador bizantino do séc XIV, que dizia, sobre a guerra santa “'Mostre-me o que Maomé trouxe que era novo, e lá você encontrará apenas coisas más e desumanas, como o seu comando de espalhar pela espada a fé que ele pregava.” (dentre outras coisas, algumas tão nocivas quanto). No entendimento de um muçulmano, isso pode muito bem transformar-se em: “Maomé só pregava a carnificina” sem muito esforço. Lembro a todos o caos causado pela simples reprodução (caricatural, é verdade) da imagem do profeta árabe. O que poderia se esperar de uma frase dessa, saída da boca do líder da maior religião do mundo?

Sinceramente, creio que essa atitude demonstrou uma falta de raciocínio político monstruosa da parte do pontífice. Revelou uma inconseqüência que, a meu ver, lhe torna inapto (na melhor das hipóteses, um péssimo candidato) ao exercício de uma função de tanta influência no equilíbrio de poderes do mundo atual. O papa foi tremendamente irresponsável com tal colocação. Confesso que até cheguei a desejar que os cardeais reunidos tomassem atitude semelhante ao comitê-geral do partido comunista da união soviética, que forçou Kruschev a renunciar por “motivos graves de saúde” (sendo que o homem só morre 30 anos depois, em um acidente). Podem achar que eu exagero, mas faço a seguinte analogia: se Lula resolvesse dizer num discurso no interior do nordeste que o presidente norte-americano é um completo imbecil (sem errar), no dia seguinte estaria ameaçado com vários pedidos de impeachment e com imensas pressões para a renúncia.

Essa, senhores, é minha leitura a respeito do mais recente capítulo da mais antiga crise do mundo. Talvez esteja enganado, mas creio que, desde as cruzadas, um papa nunca usou de discurso tão ofensivo (muito menos sem querer). E, por falar em cruzadas, as palavras do grande Cazuza vêm bem a calhar, pois, mais do que nunca, vemos o futuro repetir o passado.



PS.: Reestruturação emergencial na Parede. Excepcionalmente nesse Setembro, Marcelo postará dia 23. Esperamos que, em Outubro, tudo se normalize.

para mais detalhes sobre o discurso polêmico do Papa, visite http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2006/09/060915_papa_discurso_dg.shtml

PS.: O catolicismo não é a maior religião do mundo. O islã tem mais seguidores que a igreja católica. O cristianimso como um todo é que é maior que a religião muçulmana, mas nem todos os cristãos estão submetidos ao papa, apenas os católicos.

Tirando isso, foi um bom texto, apesar de eu estar cagando e andando pro que o papa ou qualquer outro líder religioso/espiritual diz ou deixa de dizer.

Curti o texto tambem ... Tinha ouvido sobre o fato mas não sabia ao certo o que tinha ocorrido. Abraço. Dia 23 tamo ae

rafael tem razão... confundi os dados q obtive aqui... a maior em numero de seguidores realmente é o cristianismo COMO UM TODO...
peço perdão pelo engano

rafael,
a priori, eu também estou me lixando pro que lideres religiosos dizem... exceto quando eles perdem a noção da influência da palavra deles no mundo e começam a falar o que nao devem...

Eu acho é uma pena lees terem influência.

Concordo com vc, o que eles tem de mais para ser tão pops ??
Gostei do texto, exceto pelo fato lá do erro, já aki corrigido.

Bom, o que eles têm 'de mais'?! Um exército de alguns milhões de fanáticos a disposição.

E daí ?
To pouco me lixando para os milhões de fanáticos.
cada um tem que viver sua vida em função de si próprio e não em função de um mito.

vc pode mto bem se lixar pros fanaticos...

até que um deles se amarra em um monte de bombas e explode do seu lado...

ou ate que milhares deles num pais elegem um deles pra governar esse pais e ele decide começar a testar seus misseis de longo alcance na capital do pais vizinho, cuja população é "infiel"

Rafael,
é uma pena sim eles terem tanta influência... mas a pior parte nem eh essa, eh o modo como eles usam essa influencia

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