sábado, dezembro 30, 2006

Beethoven: um gênio incansável


Como definir Ludwig Van Beethoven? Muitos diriam: gênio!Eu digo: uma súplica da fragilidde humana no mistério divino, Beethoven foi um jovem adulto agonizante entre a ficção e a realidade.Conhecer Beethoven e sua música não basta para entender tamanha genialidade. Seu questionamento constante sobre a meta certeira de toda a humanidade é quase um pedido de auto-misericórdia, mas por que isso? Porque no sacrifício de descanso de sua voz na música, este ousou, com leveza e agilidade, subliminar uma critica sarcástica aos valores e costumes da sua época?

Goethe, outro gênio, este alemão disse certa vez: ”Jamais conheci um artista mais contido, vigoroso e sincero. Posso compreender muito bem quão singular deve ser sua atitude para com o mundo” sobre Beethoven. Pensemos então, a coisa que mais chama a atenção em Beethoven não é sua genialidade, sua música e sua compreensão de mundo, mas sim sua sinceridade e grandeza para com os sentidos.

“A admiração, o amor e a estima, que já acalentava em minha juventude pelo único e imortal Beethoven, ainda persistem. Sentimentos como esses não são expressos facilmente em palavras, particularmente por alguém inculto como eu, pois meu único desejo tem sido dominar a arte da compreensão. Mas um sentimento estranho está me induzindo a dizer tudo isso sobre este, que foi com toda certeza, um dos maiores gênios que o mundo já teve.”

O que eu penso de Beethoven, talvez pouco importe a você leitor, mas à época que viveu Beethoven, a ligação que se vê a partir de sua música é que, passando sequencialmente por Wagner e Nietzsche, fizeram-se umas das eras mais magníficas da história humana. E esta é feita, inconscientemente ou não, com o que há de mais emocionante e especial nas pessoas: a paixão.

É inegável também, no pensamento, a influência da filosofia na música. Esta que praticamente fundou sozinha a modernidade, justamente responsabilizando a música e seus artistas emplasmados eternamente na memória das pessoas. No germanismo pré-hitleriano que viveu Beethoven se faz o contexto que ele tornou o ideal para que sua música fluísse.

Tão impressionante quanto o caráter “germânico” e a incomparável arte (e força) de Beethoven, contudo, foi sua capacidade – não apenas de artista, mas de profeta clarividente – de forjar o futuro e de condenar a música posterior (até hoje) aos moldes por ele lançados. O “futuro”, aqui, apontava o caminho que Beethoven supostamente indicava a seus sucessores. Do mesmo jeito, a música programática é “filha” de Beethoven. Se estamos aprisionados no tempo da incompreensão da música contemporânea, pelo menos desde o século anterior, é, de certa maneira, por causa de Beethoven. Se, em termos eruditos, não conseguimos mais encontrar saída que não seja a dissonância é por ‘culpa’ de Beethoven. Beethoven inventou o humano muito mais humano do que Shakespeare e, de lá pra cá, o que nos diz respeito à visão de mundo das pessoas mudou radicalmente.

Por isso, apesar do germanismo ser hoje inadmissível (e estar fora de moda), graças à obra incomparável, ao exemplo de vida (e determinação) do futuro (ao menos, na música), continuemos louvando Beethoven. E continuaremos por muitos anos. Arrisco: até o fim dos tempos (embora essa expressão não tenha sentido, como provou Kant). Beethoven, quando não é fonte inesgotável de inspiração, em suas sinfonias, suas sonatas, seus quartetos, etc., é um porto seguro para quem quer desenvolver seus talentos, superando-se sempre. Beethoven, quando não é, digamos, um guia para o trato social e para, vá lá, a convivência em família, é um caso, no mínimo, interessante de sobrevivência a si mesmo, às próprias debilidades, psicológicas, orgânicas, humanas, enfim. E Beethoven, quando não é comparável a “gente como a gente”, graças a seu gênio, revela-se, ao mesmo tempo, extremamente palpável, pelas anotações, pelos cadernos, pelas cartas, pelos autógrafos – de um ser humano sempre cindido entre uma tarefa hercúlea, que se sabia capaz de realizar, e uma época comezinha, como todas, mas que lhe permitiu abrir asas e voar. Por isso, estamos salvos (ou temos onde nos resguardar).

Por isso lembre-se: Beethoven consegue vislumbrar dentro de seu delírio agonizante como seria sua vida definitiva. É como se ouvisse um coro de anjos à sua volta para o receber; então surge como um último apelo de salvação eterna.Sua música é melancólica, é a lagrima que Beethoven tem para oferecer como forma de arrependimento: “Perdoai-me,Deus meu piedoso Senhor Jesus, dai-me o descanso eterno.Amém” disse outrora.

“Há alguns homens misteriosos que só podem ser grandes. E por quê? Nem eles mesmos sabem. Por acaso quem os enviou sabe disso? Têm na pupila uma visão terrível que nunca os abandona. Viram o oceano como Homero, o Cáucaso como Ésquilo, Roma como Juvenal, o inferno como Dante, o paraíso como Milton, o homem como Shakespeare. Ébrios de sonho e intuição em sua marcha quase inconsciente sobre as águas do abismo, atravessaram o raio estranho do ideal, e este os penetrou para sempre... Um pálido sudário de luz cobre-lhes o rosto. A alma lhes sai pelos poros. Que alma? Deus.” – Ludwig Van Beethoven

Ygor Coutinho Antunes

sexta-feira, dezembro 29, 2006

Novo layout

Como os dotados de percepção visual provavelmente perceberam, eu alterei o layout de nosso humilde blog. Achei alguma coisa bem do jeito que eu tava procurando, um layout num tom mais sério, com cara de jornal, ou pelo menos de site de notícias. Gostei bastante dele como está. Entretanto como esse site é bastante democrático, por favor façam comentários nesse post aqui dizendo o que acharam. Caso a maioria não goste eu tento achar algo que agrade mais. Enquanto isso ele fica aqui pra todos poderem votar.

Aguardem, mudanças mais significativas virão no site (mais no que diz respeito à normas de postagens do que no layout, que, se for aprovado, já fica como definitivo).

Desde já gostaria de desejar a todos vocês um feliz 2007,
Rafael.

quarta-feira, dezembro 27, 2006

COMPRE TUDO À VISTA

Primeiramente, gostaria de me desculpar aos integrantes e frequentadores da parede de banheiro por 2 furos consecutivos de postagens... e gostaria de me desculpar dessa vez, mesmo estando de "férias" estar atrasando a postagem...

Esse texto poderia ser publicado antes do dia 24, pois visa compras, uma coisa um tanto quanto normal nessa época do ano. Mas por outros motivos, acabei postando hoje mesmo...

Sem mais, começarei agora...

COMPRE TUDO À VISTA

No primeiro período do meu curso de administração, tive como matéria obrigatória ADM 110 – Contabilidade, onde aprendemos a fazer lançamentos financeiros para elaborar o balanço patrimonial de uma empresa. Em certa parte da matéria, estávamos fazendo lançamentos diários para compras a prazo, que pessoalmente eu acho uma grande porcaria, e descobri que não era só eu que achava isso quando um parceiro de sala, GORDO, falou a seguinte frase depois de uma indagação minha reclamando da matéria: ‘Mas que MERDA, porque não paga tudo à vista?’. A primeira vista, apenas mais um GRANDE comentário de GORDO na sala, mas analisando bem a situação, e estudando matemática financeira, pode-se ver que isso foi realmente um GRANDE comentário.
Começando pelo ponto de vista “contábil”, seria muito mais fácil para um contador fazer apenas lançamentos de compras à vista, não tendo que quitar inúmeras vezes parcelas de um mesmo produto em planilhas diferentes.
Mas não é apenas por aí, analisando agora o lado financeiro da situação, quando compramos um produto à prazo, pagamos juros por esse produto, ou seja, pagamos mais para adquirir o mesmo produto de uma pessoa que o adquiriu à vista, e muitas vezes esse valor é ainda maior do que imaginamos. Por exemplo, quando você adquire um produto em 12 prestações mensais com juros de 3% ao mês, enquanto muitos pensam que você está pagando 36% a mais do preço (o que já é considerável), na verdade você está pagando 42,576% a mais pelo produto. E normalmente quando adquirimos produtos com essa quantidade de parcelas, é um produto que tem um valor alto.
Muitas pessoas acham maçante o trabalho, talvez pelo fato de ter o prazer antes de trabalhar. Como assim? Se você compra um produto a prazo, você irá desfrutar do uso do bem antes de terminar de pagá-lo, portanto, você estará trabalhando para quitar a sua dívida. Se você adquirir todos os bens à vista, você primeiro irá trabalhar para depois ter o uso do bem, ou seja, você trabalha primeiro e tem prazer depois, ao contrário de comprar à prazo, que você primeiro tem o prazer e depois trabalha. Isso poderia ser comparado a, por exemplo, comer em um restaurante que você está acostumado e depois experimentar um melhor ainda, a sensação é boa, agora se você está acostumado a comer nesse segundo e depois for no primeiro para ‘variar’, a sensação será ruim.
O papo de ‘só consigo comprar se for a prazo’ não cola mais. Se um consumidor consegue quitar as dívidas a prazo, consegue também quitar à vista, basta guardar o dinheiro das prestações mensalmente e no fim de menos tempo do que seria necessário para acabar de pagar todas as prestações, já estaria com dinheiro suficiente para adquirir o produto, e melhor, no mesmo prazo das prestações teria dinheiro para adquirir mais produtos.
Essa análise para o ponto de vista do indivíduo, para empresas são outros casos, com outros estudos, e outros cálculos que serão citados em outra oportunidade.

sexta-feira, dezembro 15, 2006

De olho nos gastos não-pecuniários

Um ano me distancia da tensão em torno do vestibular. Hoje me interessei em abandonar os temas polêmicos que habitam essas paredes e me ater a uma coisa que percebi ao longo deste ano. Estou de certa forma, tentando ajudar os amigos que testemunhei entrar nessa vida de sonhos e frustrações, que caminham para se inserir nela e, como não poderia deixar de ser, ajudar a aqueles que pedem para que o tempo não passe e essa hora nunca chegue.
Tentar quebrar alguns padrões tem sido meu objetivo em certos textos, neste, discorrerei apenas sobre as diferenças de universidades federais e faculdades particulares.

De olho nos gastos não-pecuniários

Com uma estrutura antiga, uma demanda por professores, acervos desatualizados e problemas de vigilância as universidades federais não tem recebido a devida atenção por parte de nossos governantes. Ainda assim, gozam de um prestígio frente à sociedade e é aspirada por tantos jovens que acaba se tornando um espelho para as outras instituições de ensino.
As faculdades particulares, por outro lado, vêm se tornando verdadeiras empresas com receitas enormes e filiais em todas as partes do país. Elas recebem um número cada vez maior de estudantes, promovem verdadeiros espetáculos para aqueles que elas acolherão durante alguns longos anos e divulgam sua marca por toda parte. Tornaram-se presentes em quase todas as colunas sociais de prestígio.
Mas, seria nesses pontos que essas instituições se diferenciam?
Em minha opinião, baseando apenas naquilo que tenho visto e vivido, o que realmente as diferencia são as oportunidades que são capazes de fornecer a seus alunos.
As universidades particulares pegam alunos frustrados pelo vestibular, misturam com alunos tão medíocres que se orgulham de estar ali, preparam estes alunos para passar de semestre em semestre e pronto. Conseguem cada vez mais espaço no mercado ganhando seu lucro mensal em cima de pessoas que não tiveram condição de entrar numa universidade federal por deficiências na nossa educação pública ou em cima de jovens que nasceram em berço de ouro, nunca tiveram da vida uma exigência por uma postura diferente de seus medíocres passos e tiveram a cabeça formada, talvez, por novelas, músicas e sites nem um pouco inteligentes.
As universidades federais selecionam seus estudantes, muitas vezes, fazendo com que estes sintam orgulho do lugar que ocupam. Mesclam pessoas de diferentes nacionalidades, pessoas de diferentes origens, pessoas que moravam fora e estão ali com uma motivação de ter uma vida toda a construir. Possuem professores tão renomados no país que são referências em diversas áreas e já publicaram um conteúdo que quase enche uma biblioteca. Têm empresas juniores, projetos de extensão, estágios, congressos, palestras, monitorias etc.
As conclusões que cheguei levam a percepção de que o preço que se paga por estudar em uma universidade particular pode ser maior que aquele sentido no bolso. Não somos capazes de prever como seriam nossas vidas se simplesmente tivéssemos deixado algumas oportunidades de lado, não somos capazes nem de mensurar o valor de cada uma delas, mas acredito que não podemos deixá-las de lado. Estar em um ambiente que proporcione com maior facilidade que as oportunidades apareçam é fundamental e, para mim (como diria já diria o master card), isso não tem preço.



Não creio que tenha sido imparcial em meu texto, a neutralidade não pode ser alcançada, nem era essa a minha intenção já que usei uma linguagem em tom irônico e com certos exageros. O que quero que percebam é que a diferença de ambiente é que é responsável pelo abismo existente entre as instituições.

quinta-feira, dezembro 14, 2006

Apreciando a beleza do silêncio

E agora eu me calo.

terça-feira, dezembro 12, 2006

Adaptação

Eu estava lendo alguns dias atrás o "V de Vingança" (o graphic novel, não o filme, sobre o qual comentarei mais tarde neste mesmo artigo) e, como o próprio autor diz, é uma obra que não nos manda o que fazer, mas sim que nos faz pensar. Para quem não conhece a história, é bem simples (inicialmente): Em uma Londres pós-apocalíptica, a nação inglesa é oprimida na mão do regime fascista da Nórdica Chama, quando, no dia 5 de novembro de 1997 (a obra foi escrita em 1981), um misterioso mascarado conhecido apenas por V explode o Parlamento, como Guy Fawkes tentou fazer no dia 5 de novembro de 1604, pondo em risco a credibilidade e exibindo a fragilidade do governo de Adam Susan, o ditador que comanda a Inglaterra sobre mãos cruéis e olhos brutais, escutas e câmeras espalhadas pelas ruas e pelas casas londrinas. A história é bastante interessante, mas o foco principal do graphic novel é demonstrar a luta fascismo x anarquismo.

De um lado, temos o fascismo, liderado por Adam Susan, sob o partido da Nórdica Chama, cuja ideologia principal vem do nome "fascismo", do latim "fasces", que significa "feixe de varas". Uma vara só pode ser quebrada, mas todas as varas unidas não podem. São fortes. E, adicionado a religiosidade do partido, seguem o lema "Poder pela união, união pela fé". Adam ainda comenta sobre a falta de liberdade de escolha, "que escolha posso oferecer ao meu povo senão morrer de fome?" A Nórdica Chama ainda conta com um supercomputador, o Destino, que monitora qualquer suspiro em Londres e a Voz do Destino, um programa de rádio feito para fazer propaganda política do governo. Sob o poder do Destino, "Inglaterra triunfa."

De outro lado, temos o anarquismo, liderado por V, cuja ideologia principal é criar a "Terra do Faça-O-Que-Quiser", um lugar onde a população independe do governo para sobreviver, cada um por si. Mas para isso V deve primeiramente abrir os olhos da população, criar o caos (arrastões, multidões, guerra civil) e enfim fundamentar o anarquismo.

Quem é bom ou ruim, cabe a você decidir. Mas uma coisa que me irritou mesmo, após eu terminar de ler a obra, foi a adaptação cinematográfica dos irmãos Wachowski e de Joel Silver. Não estou menosprezando o filme, adorei o filme e o assisti umas três vezes. Mas a distorção que fazem de algo é gritante. No filme, V é mostrado como um super-vigilante que luta pelo bem da democracia. Na obra, V é mostrado como um paradóxo humano, anarquista ou insano, cabe a você decidir também. Joel Silver disse em uma entrevista que "V é como um superherói que salva Londres". Não é bem assim, a máscara de Guy Fawkes que V usa é uma simbologia. Como V nunca mostra sua face, V pode ser qualquer um de nós. Evey Hammond, interpretada pela bela Natalie Portman (ou, como quiserem, Princesa Amidala) não é uma assistente de uma emissora de TV, como mostrado no filme, mas sim uma orfã oprimida pelos orfanatos e trabalho infantil que acaba virando uma prostituta para se virar. Adam Susan virou Adam Sutler, provavelmente para esconder a referência a "Tio Sam" em seu nome para virar uma referência a Hitler. Outras personagens foram alteradas drasticamente, como o Gordon Dietrich e Eric Finch, e outros foram completamente desprezados, como o precessor de Creedy (o chefe da segurança nacional). O final da obra então, vish, nem se fala, ocorre muitas coisas diferentes, mas não contarei pois não quero estragar a surpresa.

O pretexto de "V de Vingança" foi brutalmente modificado. Da intenção de criticar uma Inglaterra da Dama de Ferro, Margaret Thatcher, tornou-se uma advertência da era Bush. Como o próprio autor disse, "O livro é sobre a Inglaterra". Mas novamente, todos sofrem neste vil cabaré.

sexta-feira, dezembro 01, 2006

Novo Articulista

Gostaria de comunicar e dar as boas vindas ao mais novo articulista da parede: David Henrique da Cunha Pereira. Ele irá escrever em nosso humilde site nos dias 12 de cada mês.

Essa nova "contratação" faz parte de uma série de mudanças que pretendo promover na parede para o ano de 2007, mais isso é assunto para outro dia, quando teremos uma reunião entre os membros para decidirmos o futuro do nosso banheiro.

Sem mais por agora, seja bem-vindo David. :)

Soneto da (In)felicidade

Soneto da (In)felicidade

Felicidade.Simples.
Definição? ser feliz.
Querer estar contigo
Só.Contigo.

Infelicidade.Dói.
É.Sem definições.
Não poder estar contigo
E só.Sem você.

Não ser infeliz.
Objetivo de vida?
Talvez.

Não finja ser feliz;
Quer felicidade?
Chame pelo meu nome.

Ygor Coutinho Antunes


obs.: Despertando meu lado "Vinicius de Moraes" de ser.

Até a próxima. Que venha a UFMG.

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