« Home | A Igreja do Eu Sozinho » | GENTLE GIANT - OCTOPUS (1973) » | DE VOLTA!!! » | O Supercidadão e as Ciências Sociais » | A Grande Atração do ano da FIFA!!! » | The waters of March are closing the summer... » | Considerações sobre a atual parede » | Brasil: um país bem informado » | CALOURO... BURRO!!! » | Yey!!! Postagem nova!!! »

Quanto você pagaria para ser eleito?


Quanto você pagaria para ser eleito?

Marcelo Araújo

Buscarei apresentar alguns dados sobre as eleições municipais de 2004 na cidade de Patos de Minas. Para quem não conhece, Patos, como é vulgarmente chamada, localiza-se na região do Alto Paranaíba, é uma típica cidade do interior de Minas Gerais com população de aproximadamente 130 mil habitantes. Na última eleição municipal foram eleitos 11 vereadores e a disputa para prefeito se concentrou, principalmente, em torno de dois candidatos, Antônio do Valle Ramos do Partido Progressista e José Humberto Soares do Partido Trabalhista Brasileiro.

Naquela ocasião, o vencedor da disputa foi Antônio do Valle com quatorze mil votos a frente do segundo colocado. Até então, quase nada nos chama atenção, mas uma análise além dos resultados das urnas revela dados surpreendentes. Antônio do Valle sagrou-se também campeão em arrecadação de recursos. Para sua eleição em outubro de 2004 o candidato obteve uma receita de exatos R$ 369.610,00. Por outro lado, o candidato José Humberto obteve a bagatela de R$ 136.200,00, o que implica uma diferença de nada menos que R$ 232.410,00 entre o orçamento dos dois candidatos. Somado a estes valores o humilde orçamento de Pastor Augusto (R$ 2.240,00), o candidato que complementou a disputa na cidade, percebemos que a disputa eleitoral naquele ano movimentou nada menos que R$ 508.050,00, ou seja, mais de meio milhão de reais circularam na pacata cidade em função da briga pelo poder.

O candidato vencedor conseguiu 53 doadores para sua campanha, doadores estes que ofertaram valores entre R$ 500 e R$ 30.000. Apesar da grande quantidade de doadores do prefeito progressista, o maior valor vindo de um único indivíduo teve como destino a campanha de seu concorrente. Um dos 19 financiadores da campanha de José Humberto doou sozinho R$ 33.000.

Até o presente momento apenas transmiti algumas informações para o leitor. Antes de prosseguir meu texto faço algumas perguntas provocativas: Um candidato eleito gastando cifras tão altas, partindo de cinqüenta e três diferentes pessoas ou empresas, governa para quem? Governa, com independência, para todos os seus 43.925 eleitores?

Vamos novamente brincar um pouco com os números. Dividindo a quantia arrecada pelo número de voto obtidos percebemos que o candidato Antônio do Valle gastou cerca de R$ 8,41 por voto. Fazendo os mesmo cálculos notamos que José Humberto gastou R$ 4,58 por voto. Se mantivéssemos este valor por voto seria necessário que José Humberto gastasse, no mínimo, R$ 65.109, 00 para se sagrar o vencedor das eleições.

Falemos um pouco dos financiadores de campanha dos dois candidatos. O empresário patense Inácio Carlos Urban mostrou que sabe usar bem do maravilhoso jeitinho brasileiro, prestou apoio no valor de R$ 5.000 para os dois candidatos da disputa eleitoral. Como se não bastasse, financiou com valores diferentes os dois principais candidatos das cidades de Presidente Olegário e Coromandel. Apenas o empresário gastou R$ 20.500 no financiamento de seis diferentes candidatos a prefeito da região. Parece que Inácio Urban não terá problemas nascidos de intrigas políticas em seus negócios.

É claro que apoio financeiro prestado aos candidatos varia de acordo com dimensão da empresa, de seu poderio econômico e de seus interesses na região. Veja bem, a Algar S/A Empreendimentos e Participações que atua na cidade por meio da conhecida CTBC, destinou R$ 4.000 para cada candidato de Patos de Minas, porém, destinou remessas de seus lucros para nada menos que outros 29 candidatos a prefeitos de sete diferentes cidades pertencentes a três estados da federação. A maior cifra foi destinada ao candidato eleito prefeito de Uberlândia, Odelmo Leão, que conseguiu o apoio no valor de R$ 321.000,00. Desconfio que a Algar, desde 2004, encontrou um bom espaço para crescer na região, ganhou alguns incentivos das prefeituras para ampliar seus serviços nas cidades e, se isto realmente ocorreu, podemos esperar que este ano ela financie um maior número de candidatos.

Voltando o foco novamente para Patos de Minas e tentando buscar um segundo exemplo para ilustrar as relações clientelistas existentes nas eleições municipais por este Brasil afora apresento o caso da Papelaria Principal. Esta famosa papelaria da cidade patense direcionou R$ 10.000 para a campanha de Antônio do Valle. Quais os interesses de uma papelaria ao gastar esse montante em uma campanha eleitoral? Todo o material de escritório usado pela administração municipal durante os quatro anos já parece ter tido um fornecedor garantido.

Alerto para importância de o leitor diferenciar hipóteses feitas por mim de afirmações e informações presentes no texto.

Insisto em deixar claro que não faço uma crítica aos candidatos e seus esquemas montados de arrecadação de recursos para campanha eleitoral. Apenas duvido que alguém invista valores tão expressivos por simplesmente acreditar na qualidade de determinado candidato. Procuro apresentar aqui, o tempo todo, a minha singela desconfiança em torno de como a política pode se preservar imune diante da dependência que ela está criando em relação aos seus financiadores. A cada nova eleição ela reforça sua dependência e os resultados das urnas passam a estar, cada vez mais, ligados a ela.

Estas simples comparações e exposições revelam um pouco do que pode estar por trás de uma simples disputa eleitoral. Preocupei-me o tempo todo em mostrar que estava falando apenas a respeito da cidade de Patos de Minas e expus um pouco sua realidade para que qualquer leitor pudesse tentar imaginar o que se passa em eleições de maior porte como as eleições de Minas Gerais, o segundo maior colégio eleitoral do país, ou as eleições de maior porte como aquelas que elegem os integrantes do congresso nacional. Quanto, financiadores estariam dispostos a pagar para ter o presidente da república ao seu lado? Quanto, uma empreiteira colocaria de recursos na campanha de um candidato a deputado federal em troca de o mesmo redigir leis que a beneficiem? A preocupação de cada indivíduo integrante de qualquer poder em questão é mesmo as demandas da população? Seria o bem comum, atualmente, o fim único da política?

Questões que me deixam bastante preocupado a seis meses das eleições municipais. Perguntas que me fiz nas eleições de 2004 e 2006 e que provavelmente continuarei fazendo nos próximos anos. Seria realmente o candidato às eleições norte-americanas capaz de fazer uma campanha vitoriosa sem arrecadar recursos vindos de empresas e organizações?


A política revela algumas armadilhas, o poder mostra-se um bem caro de ser adquirido e, o mais triste ao focarmos nossas visões em tão graves questões, é perceber que, se elas se mostram tão complexas para serem resolvidas, a população está cada vez menos interessada em descobri-las, mais distante de percebê-las e até mesmo de ter interesse em envolver-se nelas.
Um bom ano eleitoral para todos vocês! Se deliciem com todo esse espetáculo e, por favor, não fiquem sentados, como estão, esperando soluções e, muito menos, olhem a realidade e os absurdos que acontecem em suas frentes e simplesmente proclamem antes da novela “É por isso que esse país não vai pra frente!”.

Fonte: Transparência Brasil (www.transparenciabrasil.org.br)

Texto produzido a dois meses atrás mas que ganha as páginas da parede apenas agora por ser muito agessivo. Vamos ver o que o pessoal acha.
Abraços

Eu sempre fui a favor de vocë publicar isso. Belo texto.

Na boa, textos tão grandes assim não devem estar em blogs...dá aquela resumida, é tanta informação concorrendo a minha atenção...

abraços

Coromandel Minas Gerais é a Capital do Diamante mais entre outras qualidades tem a de ter belos exemplares de mulheres.
Como Bárbara Braga Alvarenga

Chamada à Ivete Sangalo do Interior de Minas.

Bárbara Braga Alvarenga

Bárbara Braga Alvarenga?

Bárbara Braga Alvarenga seria o possível affair de Aecio Neves que foi flagrado com a acompanhante em diferentes eventos formais e em vôos fretados ao interior de Minas.
Na companhia de Anastasia e o falecido e então Candidado ao Senado de Minas Gerais Itamar Franco.
Que país é esse onde vôos são fretados para ver namoradinhas?

Bárbara Braga Alvarenga seria o possível affair de Aecio Neves que foi flagrado com a acompanhante em diferentes eventos formais e em vôos fretados ao interior de Minas.
Na companhia de Anastasia e o falecido e então Candidado ao Senado de Minas Gerais Itamar Franco.
Que país é esse onde vôos são fretados para ver namoradinhas?

Postar um comentário

Links to this post

Criar um link

Powered by Blogger
& Blogger Templates




eXTReMe Tracker