quarta-feira, fevereiro 21, 2007

“ Todo carnaval tem seu “fim” ”

Todos vocês já devem estar cansados do carnaval. Cansados das noites que você passou acordado, da ressaca dos quatro dias vivendo com o álcool disputando com o sangue um lugar em suas veias, esgotado pelo papo de todos aqueles homens e mulheres que teve que agüentar dizendo um monte de mentiras para apenas te beijar. Por outro lado seu cansaço pode ter como origem a televisão, os jornais, os sites, as pessoas, etc. Resumindo, o cansaço com origem em praticamente todos os meios que fazem sua cabeça e estão ou propagando ou produzindo informações sobre o carnaval.
Para mim, o mais cansativo e o que mais se propaga durante os carnavais são aquelas músicas consideradas os hits* desse período de festa. Alguém pode até encontrar um motivo para festejar rindo da trágica comédia que é nossa vida, porém, os dono das gravadoras, os vendedores, os camelôs, os próprios cantores, todos aqueles que faturam alto com a produção dessa rica safra possuem motivos mais concretos pra comemorar bastante.
Essas músicas e os aclamados “artistas” que as disseminam tem seu sucesso com uma receita bem simples. Basta reunir alguns instrumentos, fazer uma batida animada, inventar uma letra bem simples, ensaiar uma seqüência de passos e colocar na mão de uma figurinha conhecida no chamado cenário pop*.
A duração do sucesso de cada canção está diretamente proporcional ao tempo que ela é tocada nas rádios, que é apresentada nos programas das tardes de domingo e de depois do jornal do almoço ou até do tempo que se leva para a próxima sensação do verão* ser lançada.
Mesmo sendo de simples produção e tendo sucesso garantido, estas músicas não são sempre do mesmo ritmo ou estilo. É importante ilustrar essa afirmação relembrando o carnaval do funk, bonde do tigrão e suas “eguinhas”.
E quais os temas dessas belíssimas canções?
Toda a composição nos mostra alguma dança do aviãozinho, algum amor perdido no verão, ressalta alguma beleza do Brasil ou simplesmente não fala nada. Fica apenas cantando os passos que é a própria dança.
Diante disso, eu não me atreveria a colocar alguma música carnavalesca para que vocês ouvissem enquanto lêem meu texto. Foi uma boa idéia de nosso amigo David mas prefiro não obrigá-los a ouvir essas jóias de natureza bem brasileira.
Eu estaria realmente feliz se acreditasse que essas musicas só existem nessa época, que isso só acontece com as músicas e que as pessoas ouvem algo além disso. Músicas desse tipo existem em qualquer época do ano, no Brasil ou no exterior, tudo acontece em variadas áreas, basta ligar a televisão e você acompanhará programas que são feitos por sete anos consecutivos durante as férias tomando conta de todos os meios de comunicação já citados.
Por mais que eu perca meu tempo escrevendo este texto e você perca o seu lendo-o todas essas coisas de que falei provavelmente não mudarão. O tempo passa, os carnavais sempre chegam, esses enlatados tupiniquins sempre geram um faturamento alto, sempre existirão pessoas de belas faces enganadas o suficiente pra acreditar que é belo o trabalho que fazem, etc.
A consciência dos fatos que descrevi não são suficientes pra suprir a carência que a realidade gerou em nossa gente. Para testemunhar e lamentar só nos resta aguardar o próximo feriado, a próxima estrela pop, a próxima festa regional, o próximo festival de axé, as próximas férias, o próximo verão, o próximo carnaval...

*Tenho nojo dessas expressões.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

A maçã vermelha

Antes de mais nada, peço desculpas pelo meu atraso, mas ele é justificado, aparentemente eu não estava conseguindo postar por causa da versão do Blogger, que eu atualizei para o Google e o Blogger falava que eu não podia mais postar aqui pois aqui ainda é uma versão antiga. De qualquer jeito, cá estou.

Eu acredito que essa matéria tenha um efeito maior ao ler escutando a seguinte música, sendo que no momento que pensei em fazer esse texto essa música estava presa em minha mente e percebi que combina, então aproveitem a trilha sonora.



No Natal de 2006, eu liguei para um amigo meu com o qual não falava faz mais de oito meses. Foi uma conversa estranha, algo que eu não estava esperando. Antes de eu dissertar sobre a ligação, deixe-me narrar um pequeno resumo de nossa amizade. Eu conheci ele na 7ª série e ele saiu no final da 8ª série, e faziamos coisas bem idiotas, tipo bricar de luta de réguas no meio da aula, repetir movimentos Jackass, dançar uma dança sincronizada do "Stayin' Alive" do BeeGees, assistiamos Hermes & Renato e os idolatravamos, sem contar que nossa grande paixão, além das japas gostosas da nossa sala, era o Star Wars. Chegamos até a gravar um vídeo de uma luta Jedi, mas a gente gravou mal e não combinou direito onde começava o sabre e ficou um cú para editar o filme. Bem, agora, a ligação. Eu perguntei como ia a vida, e todas aquelas perguntas de praxe para prolongar a ligação. Ele me disse que mudou. Que a vida agora era baladas, tinha se cansado de Star Wars, e que a vida agora era assim. Mas será que é bem assim?

Eu fiquei semanas me perguntando, quando alguém amadurece, seus sonhos e gostos devem mudar? Meu irmão, com 27 anos, casado e com um belo emprego, e ainda gosta de animes, e baixa direto, ainda hoje. Eu considero meu irmão o oposto de um nerd sem vida do estereótipo "Seth Cohen". Se for assim, pensava eu, "eu não quero crescer". Eu penso que se você se diverte, é o que importa. Não porque algo recebe um rótulo de infantil é que deve ser banido dos adultos. Porra, eu adoro quase todos os "Power Rangers" e "Os Padrinhos Mágicos", me cago de rir.

Mas aí tocou o sino da verdade. Quando eu descobri que não vou passar tanto tempo com meus melhores amigos como eu planejava (um dificilmente vai entrar na mesma faculdade que eu, e a outra, uma das minhas únicas amigas, vai pra Florianópolis), eu entrei em pânico. Amadurecer não é mudar os ideais e os sonhos. Amadurecer é perceber que sua vida daqui pra frente vai ser completamente diferente. Reviver o passado será o seu maior desejo. Tudo começa com um turbilhão de emoções: medo, alegria, susto, nostalgia e tristeza. O pacote vem tudo de uma vez, será algo horrível e aliviante ao mesmo tempo.

Eu passei minha vida inteira com uma repressão aos sentimentos. Mas agora penso, é melhor sentir alguma coisa do que não sentir nada. Sintam. Vivam. Não se reprimam. Não tenha medo de chorar quando vê algo triste como "Titanic" ou "Hulk" (tristeza de assistir). Pois no futuro, o que você vai ver ao olhar para trás será os melhores dias de sua vida.

Para que entendam melhor, apreciem a letra de "Hurt", uma das últimas músicas que Johnny Cash (re)gravou no final de sua vida.






Johnny Cash - Hurt
Eu me feri hoje
Pra ver se eu ainda sinto
Eu focalizo a dor
É a unica coisa real
A agulha abre um buraco
A velha picada familiar
Tento matá-la de todos os jeitos
Mas eu me lembro de tudo

O que eu me tornei?
Meu doce amigo
Todos que eu conheço vão embora

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Eu o deixaria para baixo
Eu o faria sofrer
Eu uso essa coroa de espinhos
Sentando no meu trono de mentiras
Cheio de pensamentos quebrados
Que eu não posso consertar
Debaixo das manchas do tempo
Os sentimentos desaparecem
Voce é outro alguém
Eu ainda estou certo disso

O que eu me tornei?
Meu doce amigo
Todos que eu conheço vão embora

E você poderia ter tudo isso
Meu império de sujeira
Eu o deixaria para baixo
Eu o faria sofrer
Se eu pudesse começar de novo
A milhões de milhas daqui
Eu poderia me encontrar
Eu poderia achar um caminho...


Espero que eu tenha conseguido expressar o que eu senti nessas últimas semanas pós-formatura. Caso contrário, bem-vindo ao espírito atormentado de um saudosista adolescente.

quarta-feira, fevereiro 07, 2007

Férias de um Marxista Pós-Moderno em Crise Existencial

Pues, cá estou a produzir outro texto para nosso humilde e garboso blog. Comentei publicamente que lhes escreveria hoje sobre os problemas climáticos da Terra. Esqueçam, não tenho paciência pra isso agora. Pretendo revelar-lhes detalhes mais sórdidos da minha pessoa, talvez lhes levando a compreender melhor minha bizarra idiossincrasia.

A partir de hoje, senhoras e senhores, estou de férias. Sim, agora posso aproveitar o verão, posso correr pelo campo, rolar na grama, colher margaridas, ou desfrutar de muitos outros prazeres bem menos saudáveis. Porém, em meio ao êxtase causado pela vastidão de tempo livre a minha frente, desaba um prédio cheio de preocupações e angústias. Pela primeira vez, minhas férias não são um período de descanso, mas apenas um período de rotina diferente. Não me permito descansar, não me sinto confortável se me entregar ao descanso.

Por algum tempo, não me preocuparei com trabalhos ou provas, mas minha barba continua crescendo, minhas contas ainda vencem nos mesmos dias. Aliás, esse é o primeiro período de férias de minha vã existência no qual eu me preocupo com o meu próximo período de férias, e não com o atual. Vejo-me caindo no erro do homem “pós-moderno” (isso foi irônico), vivendo apenas pro futuro.

E por falar no “pós-moderno”, embora eu concorde que ele não exista historicamente, sou obrigado a concordar que é ideologicamente coerente, condizente com os dias atuais e, pior, a suspeitar que o mesmo me acomete. Vez por outra me vejo tomado por questões a respeito da minha relação com a sociedade, do meu papel no mundo, da afirmação da identidade (não posso deixar de citar a “singularidade quase indizível”), da alienação, da reificação, da rotinização do carisma e toda essa balbúrdia que Weber trouxe aos nossos olhos.

Acho extremamente ridículo tudo isso. Mal saí das fraldas e já quero entender e explicar o mundo, me sinto obrigado a saber fazê-lo. Os daqui que mais me conhecem sabem que há muito eu me considero muito mais velho do que consta em meu RG. Acho que isso ficou bem claro aqui. Acho que nada ficou bem claro aqui. De todo jeito, não se preocupe. Nada disso vai mudar o valor do dólar, melhorar o time do Flamengo, curar seus furúnculos, talvez nem sequer acrescente algo à sua sabedoria. Pela primeira vez escrevi algo aqui sem me preocupar em tratar de algum assunto importante. Na verdade, me foi bastante útil, pois finalmente concluí que o pós-modernismo é algo filosoficamente coerente (embora historicamente ridículo), compatível até com a dialética materialista (embora isso não lhes tenha sido provado aqui). Espero que tenham gostado, pra mim foi muito bom. Até!

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