segunda-feira, março 12, 2007

Nem tudo é um conto de fadas

Desculpem-me se esse texto for pobre demais, mas ultimamente estou sem muita inspiração para qualquer coisa, então peguei uma redação que fiz há um tempinho atrás. Não foi feita com a mesma paixão com que escrevo meus textos atuais

Sempre que falamos de mitos e lendas, logo lembramos de histórias que contamos para crianças para elas dormirem. Mas muitos de nós negamos ou não reconhecemos o fato que esses mitos e lendas são inspirações para várias pessoas no mundo. Como?

Vejamos que inspirações são essas. Esses mitos e lendas são inspirações no emprego, inspirações que nos incentiva a nos igualara esses mitos. Qual jogador de futebol não quer se igualar ao rei Pelé?

Nem todo mundo que é mito é reconhecido como um mito para todos. Para explicarmos essa afirmação, pegaremos novamente como exemplo o rei do futebol Pelé. Nem todo mundo o considera como um mito, apenas uma pessoa de talento reconhecido. É a mesma situação ao identificar Ayrton Senna com a opinião de duas pessoas diferentes: um fã e um não-fã de corridas automobilísticas, em outras palavras, F-1. É a mesma situação ao identificar Jesus Cristo na opinião de duas pessoas diferentes: um cristão e uma pessoa de outra religião. O que essa afirmação se relaciona com a tal inspiração? Fácil: se não existe mito, não existe inspiração. O mesmo vale para as lendas. As lendas são histórias contadas – reais ou não – que tem como objetivo dar uma lição de vida para as pessoas, para que não cometam erros retratados nessas lendas.

Concluindo esse texto, vemos então que mitos são inspirações para o homem, que nem todos os mitos são mitos para todos e que lendas são lições de nossas vidas. Mas caso alguém perguntar se mitos e lendas são somente contos de fadas, saberemos que com certeza a resposta é “não”.

sexta-feira, março 09, 2007

Maquiavel ainda vive?



A palavra maquiavélico se tornou um adjetivo quase sempre atribuído a nossos políticos. Hoje decidi reforçar o senso comum, deixar você indignado mais uma vez, mas, provavelmente, não com atitude suficiente para refletir e tentar mudar a situação. Acabo de ler “O Príncipe” de Nicolau Maquiavel. Em vários momentos do livro percebi o quanto aquilo ilustrava uma situação contemporânea e como várias pessoas hoje em dia colocam em prática o que o autor escreveu. Irei transcrever algumas idéias presentes no livro para que vocês sejam capazes de testemunhar como aquilo que o autor escreveu, no século XVI, se aplica perfeitamente a nossa realidade.
A primeira analogia que fiz partiu do seguinte trecho: “Quando alguém é causa do poder de outrem, arruína-se, pois aquele poder vem de astúcia ou força, e qualquer destas é suspeita ao novo poderoso.” As últimas eleições me surpreenderam quando vi que Antônio Carlos Magalhães tinha perdido parte do poder na Bahia. Obviamente, existem inúmeras causas para este acontecimento, porém, será que a população daquele Estado vê em ACM Neto o mesmo poder do avô? Atribuem a ele a mesma autoridade? A conclusão a que Maquiavel chegou poderia explicar, em parte, a causa dessa perda de poder. Estando o poder de ACM ligado a tradição talvez os baianos suspeitem que o netinho não possua as mesmas habilidades do avô. Os baianos estariam, então, suspeitando do novo poderoso tendo em vista que a causa de seu poder está ligada a outra pessoa?
Já que mencionei tradição vou apresentá-los um outro trecho e comentarei sobre ele em seguida: “...não há coisa mais difícil, nem de êxito mais duvidoso, nem mais perigosa, do que o estabelecimento de novas leis. O novo legislador terá por inimigos todos aqueles a quem as leis antigas beneficiavam, e terá tímidos defensores nos que forem beneficiados pelo novo estado das coisas. Essa fraqueza nasce parte do medo dos adversários, parte da incredulidade dos homens, que não acreditam na verdade das coisas novas senão depois de uma firme experiência.” Sábias palavras. Algumas leis nunca são aprovadas no Brasil e, portanto, algumas realidades nunca se alteram por encontrar resistência de grandes grupos. Qual político legislaria algo novo passando a se tornar inimigo de todos aqueles poderosos que a antiga lei beneficiava? Qualquer político sensato com único objetivo de ocupar aquele cargo pelos próximos anos não faria essa loucura. Talvez alguns graves problemas nunca serão resolvidos.
Por falar em mudança definitiva observem esse trecho: “... um príncipe prudente deve cogitar da maneira de fazer-se sempre necessário aos seus súditos e de precisarem estes do Estado; depois, ser-lhe-ão sempre fiéis.” Confesso que eu talvez nem precisasse escrever as próximas linhas. Aqueles que duvidam da eficiência das políticas assistencialistas provavelmente já entenderam de imediato o que quero transmitir. De qualquer forma, vamos a elas. Talvez não tenham nascido com esse intuito, mas, programas como o Bolsa Família ao não resolverem definitivamente os problemas das famílias envolvidas estão criando milhões de súditos e fiéis ao Estado. A reeleição fica fácil se analisarmos com essa visão.
Prosseguindo e ampliando o foco. Vejamos o que Maquiavel nos fala sobre a guerra: “Deve, pois, um príncipe não ter outro objetivo nem outro pensamento, nem ter qualquer coisa como prática a não ser a guerra, o seu regulamento e sua disciplina, porque essa é a única arte que se espera de quem comanda”. Se expliquei o trecho do parágrafo anterior desnecessariamente, me recuso a explicar este. Basta que você leitor olhe o mundo ao seu redor. Vai entender perfeitamente o que Maquiavel nos trás. Seria ele capaz de fazer premonições ou seria apenas um observador atento da história?
Por fim, voltemos a nossos políticos. Proponho analisar dois trechos: “Vai tanta diferença entre o como se vive e o modo por que se deveria viver, que quem se preocupar com o que se deveria fazer em vez do que se faz aprende antes a ruína própria, do que o modo de se preservar; e um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se arruíne entre tantos que são maus...” e “Procure, pois, um príncipe, vencer e conservar o Estado. Os meios que empregar serão sempre honrosos e louvados...” Se, como disse, maquiavélico se tornou um adjetivo, vemos que não é ao mero acaso. Maquiavel soube, como ninguém, descrever como os príncipes devem agir em diferentes situações com o único intuito de garantir e prorrogar seu reinado. Nesses dois trechos que transcrevi podemos ver que sua proposta é abandonar ideais utópicos, fazer o que for preciso para se preservar no poder e usar quaisquer meios para se garantir. Dois fragmentos que são um convite para mostrar que “O Príncipe” tem grandes chances de ser o livro de ouro de muitos lideres, sejam eles, eleitos, ditadores, ricos, operários, messiânicos, ateus... Muitos pensadores se dedicaram e se dedicam a entender a essência do Estado, sua existência, suas necessidade, seus deveres, sua realidade, etc. Maquiavel se preocupou em dar as ferramentas para líderes manterem-se no lugar em que chegaram e me parece que grande parte de nossos representantes deixaram de lado qualquer grande indagação e preferiram colocar em prática as idéias dele.

quarta-feira, março 07, 2007

Redução da Maioridade Penal - A Moda da Vez

Salve senhores, cá estou novamente. Hoje gostaria apenas de lhes deixar uma nota de reflexão. Serei o mais breve possível.

Todos vêm acompanhando o caso do garoto que foi arrastado por sete quilômetros por assaltantes aqui no Rio. É no mínimo um caso chocante, certamente. Porém, muito escândalo tem sido feito a respeito. A mídia “urubu” de nosso país pairou sobre a carcaça desse garoto por várias semanas, se aproveitando de uma tragédia que sensibilizasse a população para satisfazer os interesses aos quais ela própria se curva.

Desde a morte desse garoto, muita gente fala em redução da maioridade penal. Nosso governador, Cabral, fala que “O Rio é um caso a parte. Estados assim devem ter autonomia para legislar em matéria penal”.

Pois muito me revolta saber que, como por um passe de mágica, um homicídio, por mais brutal e hediondo que seja, baste para convencer um povo de que devemos alterar nossa constituição. Menores vivem nas ruas de nosso país há anos, muitos deles assaltam, matam, há muito tempo. O que esse garoto tinha de especial, para que a morte dele justifique isso? Será que era o garoto que tinha algo de especial? Aristóteles dizia que a democracia era fraca porque o povo não servia para governar por ser facilmente manipulável. Isso está mais do que provado, embora eu defenda a democracia.

Me recuso a comentar o comentário do Cabral. Se o Rio é um caso a parte por ser violento, peço que me apontem qual Estado não é um caso a parte.

Penúltimo comentário: depois que esse garoto morreu, um outro, na baixada fluminense, tomou um tiro na cabeça enquanto comprava chicletes. Estranho ninguém saber desse caso não? Será que esse garoto era gente? Será que ele existia?

Último comentário: a expressão “chacina da candelária” lembra alguma coisa a alguém? Pois tratou-se de um evento no qual policiais mataram a tiros 8 crianças (e feriram dezenas de outras) enquanto elas dormiam na rua. Ninguém mais se lembra. Essas crianças eram seres humanos? Eles existiam?

Enfim, foi apenas um alerta praqueles ardorosos defensores da redução da maioridade penal, quer dizer, dos ardorosos telespectadores do Jornal Nacional.

Até.

PS: Sou a favor da redução da maioridade penal, não da manipulação do público.

Powered by Blogger
& Blogger Templates




eXTReMe Tracker