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De olho nos gastos não-pecuniários

Um ano me distancia da tensão em torno do vestibular. Hoje me interessei em abandonar os temas polêmicos que habitam essas paredes e me ater a uma coisa que percebi ao longo deste ano. Estou de certa forma, tentando ajudar os amigos que testemunhei entrar nessa vida de sonhos e frustrações, que caminham para se inserir nela e, como não poderia deixar de ser, ajudar a aqueles que pedem para que o tempo não passe e essa hora nunca chegue.
Tentar quebrar alguns padrões tem sido meu objetivo em certos textos, neste, discorrerei apenas sobre as diferenças de universidades federais e faculdades particulares.

De olho nos gastos não-pecuniários

Com uma estrutura antiga, uma demanda por professores, acervos desatualizados e problemas de vigilância as universidades federais não tem recebido a devida atenção por parte de nossos governantes. Ainda assim, gozam de um prestígio frente à sociedade e é aspirada por tantos jovens que acaba se tornando um espelho para as outras instituições de ensino.
As faculdades particulares, por outro lado, vêm se tornando verdadeiras empresas com receitas enormes e filiais em todas as partes do país. Elas recebem um número cada vez maior de estudantes, promovem verdadeiros espetáculos para aqueles que elas acolherão durante alguns longos anos e divulgam sua marca por toda parte. Tornaram-se presentes em quase todas as colunas sociais de prestígio.
Mas, seria nesses pontos que essas instituições se diferenciam?
Em minha opinião, baseando apenas naquilo que tenho visto e vivido, o que realmente as diferencia são as oportunidades que são capazes de fornecer a seus alunos.
As universidades particulares pegam alunos frustrados pelo vestibular, misturam com alunos tão medíocres que se orgulham de estar ali, preparam estes alunos para passar de semestre em semestre e pronto. Conseguem cada vez mais espaço no mercado ganhando seu lucro mensal em cima de pessoas que não tiveram condição de entrar numa universidade federal por deficiências na nossa educação pública ou em cima de jovens que nasceram em berço de ouro, nunca tiveram da vida uma exigência por uma postura diferente de seus medíocres passos e tiveram a cabeça formada, talvez, por novelas, músicas e sites nem um pouco inteligentes.
As universidades federais selecionam seus estudantes, muitas vezes, fazendo com que estes sintam orgulho do lugar que ocupam. Mesclam pessoas de diferentes nacionalidades, pessoas de diferentes origens, pessoas que moravam fora e estão ali com uma motivação de ter uma vida toda a construir. Possuem professores tão renomados no país que são referências em diversas áreas e já publicaram um conteúdo que quase enche uma biblioteca. Têm empresas juniores, projetos de extensão, estágios, congressos, palestras, monitorias etc.
As conclusões que cheguei levam a percepção de que o preço que se paga por estudar em uma universidade particular pode ser maior que aquele sentido no bolso. Não somos capazes de prever como seriam nossas vidas se simplesmente tivéssemos deixado algumas oportunidades de lado, não somos capazes nem de mensurar o valor de cada uma delas, mas acredito que não podemos deixá-las de lado. Estar em um ambiente que proporcione com maior facilidade que as oportunidades apareçam é fundamental e, para mim (como diria já diria o master card), isso não tem preço.



Não creio que tenha sido imparcial em meu texto, a neutralidade não pode ser alcançada, nem era essa a minha intenção já que usei uma linguagem em tom irônico e com certos exageros. O que quero que percebam é que a diferença de ambiente é que é responsável pelo abismo existente entre as instituições.

Excelente marcelo. Muito bom, muito bom mesmo.

Seria uma grande mentira se eu dissesse que discordo de tudo o que você diz, mas devo dizer que acho que os argumentos principais pelos quais as UF's superam as Privadas não são esses que você cita.

Certamente, estudar numa UF proporciona certas experiências e oportunidades únicas ao indivíduo. Mas os prejuízos do ensino privado nao atingem apenas os indivíduos, mas causam danos à sociedade como um todo. Com cursos voltados à aceitação no mercado de trabalho, ao invés de uma produção científica voltada aos interesses da população, as Privadas acabam formando pessoas com pouca ou nenhuma preocupação com o próximo.

Aqui no Rio vê-se muito disso devido à própria ingerência do capital privado na educação pública. No curso de direito na Uerj existem mais eletivas sobre direito do petróleo e direito dos planos de saúde (não direito de saúde, mas dos planos de) do que sobre direitos humanos ou sociais ou políticos. O departamento de química da Uerj, que recebe investimentos da Rexona, pesquisa desodorantes novos ao invés de descobrir métodos eficientes de limpar a Baia de Guanabara. Na Ufrj, o curso de nutrição abandonou pesquisas sobre métodos de combate à fome a pedido da Nestlé, que achou mais "rentável" financiar pesquisas sobre métodos de emagrecimento.

Volto a afirmar que não poderia concordar mais com o que você diz. Mas acho que o tema não pode ser abordado sem essas considerações. Lembrando que eu citei universidades públicas, que, por definição, têm um dever para com a sociedade que as financia (através do Estado). Imagine como é isso nas privadas. Que tipo de profissional eles criam?

Sobre o tema, isso era tudo que eu tinha a dizer. Gostaria de adicionar que eu pretendo repor o texto faltoso muito em breve, isto é, assim que os senhores concordarem (por favor, antes do próximo dia 7 - que mesmo sendo verão, mesmo sendo no rio, tem texto).

Grato

A qualidade supera a aceitação fácil. Não basta entrar numa faculdade como a Uniban que nem vestibular tem. Se você quer ensino, você tem que merecer, e se você merecer, você terá esse ensino. Com esse ensino você será um profissional que fará sucesso. Vida boa não é na faculdade, e sim quando você estiver ganhando uma puta grana.

Mas existem exceções como o Mackenzie, que é paga (e cara pra cacete) e é boa, e outras federais/estaduais que são esquecidas pelo governo e fica pior que escola pública do Pará.

Concordo com o David. Você foi um pouco (digamos, bastante) generalista no seu texto Marcelo. Existem "particulares e particulares" e "públicas e públicas". Assim como existem instituições particulares pífias, existem as sérias, e assim como existem universidades públicas sérias, existem as "não tão sérias assim".

Como exemplo eu poderia citar a Mackenzie, já citada acima, ou a Fundação Getúlio Vargas (FGV), ou a PUC-MG e a PUC-CAMPINAS, entre inúmeras outras menos conhecidas. [pra cair no direito, que é mais conhecido da galera por aqui, pode-se citar a Milton Campos, daqui de BH, que forma excelentes profissionais]

Quanto a "formar cidadãos", como foi defendido pelo Salgado, não acho que as universidades federais façam tanta diferença. Tudo bem que algumas opiniões superficiais sejam alteradas quando um sujeito entra pra um curso superior num lugar aonde conviva com tanta diferença, mas as convicções mais sólidas da pessoa são imutáveis, vêm de berço. A propósito, esse papo me pareceu muito forçado: como pesquisar sobre "como limpar a baía de guanabara" sem ter dinheiro pra isso? Se a Rexona patrocina pesquisas que a beneficiem, nada mais justo do que essas pesquisas serem realizadas. Com ou sem a Rexona, a baía não seria limpa.

Acho que já escrevi demais, e fui claro de menos e a maioria de vocês discordam da minha opinião (na verdade eu sempre acho isso). Por isso paro por aqui.

Gostei dos comentários. O texto deixou a desejar. Generalizou sim mas pelas situações que foi escrito. Gostei dos dois pontos de vista. Muito interessante. Prossigam se quiser. Estou meio ausente mas gostei de verdade.

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