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Estaríamos preparados para votar?


Primeiramente gostaria de agradecer por estar aqui escrevendo ao lado de grandes amigos nessa mais nova investida. Nossos textos ainda sairão das paredes de banheiro e ganharão espaço em grandiosas publicações. Imagino que um dos idealizadores do Parede De Banheiro, Rafael Lourenço, ao me convidar, pensou em efetivar aqui a publicação de textos relacionados a política. Pra não decepcioná-lo, aqui vão minhas idéias.
Ps.: Desculpa se quebrei a atmosfera romântica que o poema deixou no banheiro, mas voltarei minhas atenções pra coisas mais sujas nestas paredes que já voltaram a estar novamente tingidas por protestos.


Estaríamos preparados para votar?


Nas eleições municipais de 2004 tive a oportunidade de trabalhar com pesquisa política, visitas domiciliares para avaliar as intenções de voto. Foi aí que passei a refletir se os brasileiros estariam preparados para ir às urnas. Gostaria de compartilhar com vocês experiências que vivi e que me levaram a esse questionamento. Antes delas devemos levar em consideração a proporção do que foi avaliado. Eu avaliei em cerca de 2400 residências durante 2 meses. Se levarmos em consideração um país com tamanha população e um país desigual como o Brasil deveríamos levar a sério o que estou falando.

Um dia ao perguntar para um senhor em quais candidatos ele votaria no dia 3 de outubro de 2004 ele me esclareceu: “Eu nunca perdi uma eleição! Uma semana antes de votar vejo quem está frente e voto nele. Nunca perdi uma!” Sábias palavras.

Me recordo também de perguntar a uma senhora idosa o que ela desejava que o próximo prefeito melhorasse em seu bairro. Ela não perdeu tempo e foi me mostrar o que ela estava precisando pra reformar o telhado dela. No minuto seguinte entendi o que ela queria dizer. Ela trocaria seu voto pelo material de construção que lhe fosse dado. Para ela fazer tal oferta, fui mais longe em meus pensamentos deduzindo que aquilo já deveria ter ocorrido. E quantas vezes poderia ter sido assim com aquela senhora? Quantos outros não venderam seus votos?

Perguntando em outra ocasião em quem uma eleitora votaria ela respondeu que continuaria com o mesmo prefeito porque ele estava fazendo ótimas melhorias naqueles dias anteriores as eleições. Eu estava trabalhando a dois meses da votação, percorrendo vários bairros e assistindo obras eleitorais e obtenho essa resposta. Cada situação, cada dia de trabalho me deixava mais por dentro dessa realidade que ignoramos ou talvez nem temos conhecimento.

Se a democracia seria o regime ideal por dar a chance de que todos dêem sua opinião precisamos rever nossos conceitos diante da realidade que presenciei. Qual o valor dessas opiniões, totalmente equivocadas, compradas ou manipuladas? Dentre as opiniões que avaliei, dificilmente vi critérios para se escolher um candidato. Menos ainda, vi interesse na política. Não vi reflexão. As pessoas, em sua maioria, votavam por tradição ou por interesse. Posso estar sendo pessimista, mas muitas expressaram também um grande descontentamento com as opções que tinham. Isto é tema para outra discussão, mas esse questionamento não sai da minha cabeça em mais esse ano eleitoral. Estaríamos preparados para votar?

Por essas e outras que o voto deveria ser facultativo. A Democracia se faz com a vontade dos cidadãos, mas manifestar a vontade é um direito do cidadão, não um dever. E não percebo (ainda) nenhuma razão para que tal reforma não ocorra, pois isso não afeta praticamente nenhum outro aspecto socioeconômico brasileiro. Ahn, claro, me esqueci da velha falta de vergonha dos canalhas que se elegem com esses votos cegos. É, não mudam isso tão cedo...

E no que tange o meu texto passado: tenho plena consciência de que isso é um banheiro, não uma sala de estar. Peço (e já pedi antes) desculpas por ter sido pego em um mau momento para escrever o tipo de obra que a ocasião requer.

Sem mais, despeço-me, prometendo melhoras em julho.

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Concordo que o voto deve ser só pra quem tem consciência política, e que não sendo obrigatório talvez somente essas pessoas votassem, mas tem um porém. Com o fim do voto obrigatório, não seria mais fácil vender e comprar votos? Isso não ajudaria a ala conservadora desse país, que é a que tem mais dinheiro? E pior, isso não facilitaria a fraude eleitoral? Essas ponderações me deixam sem saber até que ponto é válido o voto facultativo. É uma questão a se pensar, sem dúvida, e deve voltar ao nosso banheiro outras vezes, para gerar mais discussão.

Belo texto Marcelo, parabéns.

ótimo texto...porém, o rafael tem razao qdo diz q o voto facultativo facilitaria a fraude eleitoral. no entanto eh com mta propriedade q o marcelo coloca q o brasileiro nao está preparado para votar..afinal sao apenas 20 anos de democracia, nao eh msm??

mando bem marcelo...
nao vou fazer comentario aqui porque nao tenho mais nada a acrescentar alem dos comentarios dos outros integrantes da parede!!!

Obrigado por Blog intiresny

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