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Adaptação

Eu estava lendo alguns dias atrás o "V de Vingança" (o graphic novel, não o filme, sobre o qual comentarei mais tarde neste mesmo artigo) e, como o próprio autor diz, é uma obra que não nos manda o que fazer, mas sim que nos faz pensar. Para quem não conhece a história, é bem simples (inicialmente): Em uma Londres pós-apocalíptica, a nação inglesa é oprimida na mão do regime fascista da Nórdica Chama, quando, no dia 5 de novembro de 1997 (a obra foi escrita em 1981), um misterioso mascarado conhecido apenas por V explode o Parlamento, como Guy Fawkes tentou fazer no dia 5 de novembro de 1604, pondo em risco a credibilidade e exibindo a fragilidade do governo de Adam Susan, o ditador que comanda a Inglaterra sobre mãos cruéis e olhos brutais, escutas e câmeras espalhadas pelas ruas e pelas casas londrinas. A história é bastante interessante, mas o foco principal do graphic novel é demonstrar a luta fascismo x anarquismo.

De um lado, temos o fascismo, liderado por Adam Susan, sob o partido da Nórdica Chama, cuja ideologia principal vem do nome "fascismo", do latim "fasces", que significa "feixe de varas". Uma vara só pode ser quebrada, mas todas as varas unidas não podem. São fortes. E, adicionado a religiosidade do partido, seguem o lema "Poder pela união, união pela fé". Adam ainda comenta sobre a falta de liberdade de escolha, "que escolha posso oferecer ao meu povo senão morrer de fome?" A Nórdica Chama ainda conta com um supercomputador, o Destino, que monitora qualquer suspiro em Londres e a Voz do Destino, um programa de rádio feito para fazer propaganda política do governo. Sob o poder do Destino, "Inglaterra triunfa."

De outro lado, temos o anarquismo, liderado por V, cuja ideologia principal é criar a "Terra do Faça-O-Que-Quiser", um lugar onde a população independe do governo para sobreviver, cada um por si. Mas para isso V deve primeiramente abrir os olhos da população, criar o caos (arrastões, multidões, guerra civil) e enfim fundamentar o anarquismo.

Quem é bom ou ruim, cabe a você decidir. Mas uma coisa que me irritou mesmo, após eu terminar de ler a obra, foi a adaptação cinematográfica dos irmãos Wachowski e de Joel Silver. Não estou menosprezando o filme, adorei o filme e o assisti umas três vezes. Mas a distorção que fazem de algo é gritante. No filme, V é mostrado como um super-vigilante que luta pelo bem da democracia. Na obra, V é mostrado como um paradóxo humano, anarquista ou insano, cabe a você decidir também. Joel Silver disse em uma entrevista que "V é como um superherói que salva Londres". Não é bem assim, a máscara de Guy Fawkes que V usa é uma simbologia. Como V nunca mostra sua face, V pode ser qualquer um de nós. Evey Hammond, interpretada pela bela Natalie Portman (ou, como quiserem, Princesa Amidala) não é uma assistente de uma emissora de TV, como mostrado no filme, mas sim uma orfã oprimida pelos orfanatos e trabalho infantil que acaba virando uma prostituta para se virar. Adam Susan virou Adam Sutler, provavelmente para esconder a referência a "Tio Sam" em seu nome para virar uma referência a Hitler. Outras personagens foram alteradas drasticamente, como o Gordon Dietrich e Eric Finch, e outros foram completamente desprezados, como o precessor de Creedy (o chefe da segurança nacional). O final da obra então, vish, nem se fala, ocorre muitas coisas diferentes, mas não contarei pois não quero estragar a surpresa.

O pretexto de "V de Vingança" foi brutalmente modificado. Da intenção de criticar uma Inglaterra da Dama de Ferro, Margaret Thatcher, tornou-se uma advertência da era Bush. Como o próprio autor disse, "O livro é sobre a Inglaterra". Mas novamente, todos sofrem neste vil cabaré.

Oi genteee!!
Acabei de postar no bamboo :D
vim aqui agradecer os comentários e dizer ao leo que quero sim manter contato..
desejo muito crescimento a vcs e podem visitar sempre o bamboo que ta de portas abertas :)
muito bom o texto do David.. ja começou muito bem!!
é isso..
Beijao!!
Thais

certo certo,

primeiro peço desculpas pela falta do meu texto... tive problemas com provas, trabalhos, viagens, e (acreditem se quiser) tive até que trocar o teclado...

depois, parabenizo o estreante... nao li o tal livro nem vi o tal filme, mas confesso que me interessei muito por ambos...

soh tenho uma ressalva a fazer: não sei se isso é do livro/filme ou se é do cometário, mas a ideologia do anarquismo não é criar uma lei de "cada um por si"... anarquismo vem do grego "sem governo"... e a ausência de governo não significa o surgimento de um estado de lei do mais forte... exceto em hobbes...

O graphic novel prega o anarquismo como a Terra do Faça-O-Que-Quiser. Não há leis ou Estado, é o povo vivendo sem intervenção alguma do governo (já que esse não existe), cada um por si, sem depender de ninguém.

Não haver leis é muito diferente de não haver Estado...

Vide o anarquismo de Bakhunin (sem Estado, mas com toda uma normatividade social) e o estado de natureza em Hobbes (sem Estado, nem leis)...

Sem querer ser ideólogo (como sempre), mas essa de "anarquismo é o caos" (ou cada um por si, ou o faça-o-que-quiser) é contra-propaganda burguesa... é uma ideologia deturpada pela ideologia dominante...
ahn, saudades de estudar Marx...

Olha não vi o filme nem li o livro então prefiro elogiar só o da geração acéfala. Curti ele !!!

Não é que o anarquismo é o caos. Primeiro vem o caos, depois o anarquismo, segundo V.

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